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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A Igreja não canoniza Colombo " poque era judeu"

Cristóvão Colombo


A Igreja não canoniza Colombo “porque era judeu”

Dizem que ocultou sua religião porque teve que financiar sua viagem a América com o apoio da rainhacatólica.


(EFE) – A Igreja católica retirou sua própria proposta de canonizar o almirante Cristóvão Colombo ao saber que “era judeu”, disse o autor espanhol Oscar Villar Serrano em seu livro “ Cristóbal Colóin: el secreto mejor guardado”( Cristóvão Colombo: o segredo mais bem guardado”- tradução dos editores do blog).

Villar Serrano, doutor em Ciências Náuticas e capitão do Comando Marítimo de Torrevieja, na província espanhola de Alicante, afirma que Colombo manteve sempre um certo anonimato sobre sua personalidade “ porque era judeu, fato que lhe permitiu receber o apoio dos judeus” em saua primeira viagem a América com a promessa de “oferecer a eles a terra prometida”.

Villar assegurou que “o mistério” que envolve Colombo se deve a que teve que ocultar sua religião porque para financiar sua viagem buscou o apoio de uma rainha católica, se bem que, “todos seus grandes apoios “ foram judeus, desde o banqueiro da Coroa de Aragão, Luis Santángel, até a própria tripulação das caravelas, “majoritariamente judia”.

Neste sentido, o autor relembra em seu livro os movimentos migratórios ocorridos na Itália e Espanha, durante os séculos XIV e XV,devido a perseguição que os judeus sofreram, e “é neles que está o segredo da família Colombo”.

Villar assegura em sua obra, que na corresponsência que mantiveram Colombo e seu filho Fernando, “ há muitas provas de suas crenças religiosas judaicas”.
As cartas estavam fechadas com números hebraicos, os textos foram escritos num idioma “ininteligível” e faziam as despedidas lembrando uma benção judaica.

Mesmo assim, o autor afirma que Colombo recomendava a seu filho por carta, que diante de todos se comportasse como mandava a lei canônica, “porém entre nós – cita a Colombo, textualmente – temos que conservar nossos costumes” .

Villar relembra que o irmão de Cristóvão Colombo foi queimado em Valência, em 1493, por ser judeu e que, curiosamente, foi a própria Igreja, que com a morte do marinheiro, propôs canonizar o descobridor, pelo fato de haver cristianizado os indígenas da América, “porém desistiu ao dar-se conta que era judeu”.

Além disso, o autor do livro sustenta que o navegador “sabia onde ia” quando descobriu o novo continente, pois contava com informação sobre a rota a seguir.

Em seu livro que será publicado no próximo mês, na Espanha,( nota do editor do blog), Villar explica que Colombo “não foi um simples aventureiro”, e sim um letrado, cartógrafo e cientista que possuía mais de vinte mil livros sobre navegação que foram posteriormente cedidos por seu filho, aos dominicanos de Sevilha, onde se tomavam anotações do próprio descobridor.



Villar diz também, que Colombo conhecia a distância que ia cobrir e quanto tardaria porque “ tinha cartografia precisa”. Neste sentido, , o autor sustenta que os mapas saíram da Escola de Sévres( França).

Quanto ao financiamento da primeira viagem, Villar explica que parte do dinheiro que deu Santángel para Colombo, vinha do arrendamento de domínio público, das salinas de Torrevieja, propriedade do banqueiro.

Villar relata em sua obra que Colombo se cercou de importantes judeus espanhóis, como Abraham e Iehuda Cresques, criadores do Atlas catalão, cientista italiano Paolo Del Pozzo Toscaneli, o explorador florentino Nicolo di Conti e o cartógrafo e irmão do conquistador, Bartolomeu Colombo.

Como fato de destaque, Villar mantém que os portugueses sempre estiveram atentos e interessados na primeira viagem que Colombo realizou a América, e por isso o descobridor anotava em seu diário de bordo “ dados errados para não dar pista da rota correta”.

Segundo Villar, Colombo dizia que havia descoberto as Indias Orientais por uma rota norte, “mas era falso”, já que chegou ao novo continente pelo sul, evitando o Mar dos Sargazos.

“ Cristóbal Colón: El secreto mejor guardado” não é um romance, e sim, “ uma obra na qual se mescla a Historia com conhecimentos científicos e na qual são apresentadas novas conclusões”, disse Oscar Villar serrano.

Fonte: www.salvamentomaritimo.es
Colaboração: Heliete Vaitsman
Leia artigo completo de Oscar Villar Serrano em:
www.savamentomaritimo.es/data/articlefiles/colon.pdf

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Tu b`Shvat - O Ano Novo para as Árvores




Tu Bishvat (o décimo quinto dia do mês de Shvat) - O Ano Novo para as Árvores - data dos tempos talmúdicos. É um dos quatro "anos novos" do calendário judaico - sendo Rosh Hashaná e Nissan (o primeiro mês) os dois mais proeminentes. (O primeiro de Elul é o ano novo sob o aspecto de pagar o dízimo sobre os animais). O Talmud vê Tu Bishvat como o novo ano sob o aspecto de certas leis da agricultura que estão relacionadas com pagar o dízimo. Com o passar do tempo, Tu Bishvat tornou-se uma festividade menor ao invés de apenas um evento no calendário judaico.
O que acontece exatamente nesta data para torná-la um "novo ano"?
A explicação mais comum dos rabinos é que o fruto das árvores começa a se formar. A maioria das chuvas de inverno já caíram, e a seiva das árvores já surgiu. Há um debate no Talmud (Rosh HaShaná 14 a) sobre se esta mudança na natureza deveria ser marcada no primeiro ou no décimo quinto dia de Shvat

De qualquer modo, Tu Bishvat era visto como um precursor da primavera.
Depois do exílio dos judeus de Israel, Tu Bishvat também se tornou um dia no qual nós comemoramos a nossa conexão com Eretz Israel. Durante muito da história judaica, a única observância deste dia era a prática de comer frutas associadas com a terra de Israel. Uma tradição baseada em Deuteronômio 8:8 afirma que há cinco frutas e dois grãos associados com ela como "uma terra de trigo e cevada, de vinhas, figos e romãs, uma terra de oliveiras e mel". (O mel a que se refere este versículo é o mel das tâmaras e não de abelhas). As amendôas também tinham um lugar proeminente nas refeições de Tu Bishvat já que acreditava-se que as amendoeiras fossem as primeiras árvores a florescerem em Israel. Apesar de que não esteja mencionado no versículo de Deuteronômio, a alfarroba era a fruta mais popular a ser usada, já que poderia sobreviver à longa viagem desde Israel para as comunidades judaicas da Europa, do norte da África, etc.

No século XX, devido ao crescimento do Sionismo e então com a fundação do Estado de Israel, a associação de Tu Bishvat com a terra de Israel ganhou ainda mais signficado. Em Israel o dia é celebrado com cerimônias de plantio de árvores feitas pelas crianças das escolas. Na Diáspora, crianças e adultos doam dinheiro ao Fundo Nacional Judaico para plantar árvores em Israel.


Em Israel desde muito cedo, as crianças são motivadas ao plantio de árvores e ao cuidado com a terra


Tu Bishvat é visto pela tradição como tendo o mesmo significado para as árvores que Rosh Hashaná tem para os seres humanos, ou seja, como um ano novo e um dia de julgamento. De acordo com esta tradição, em Tu Bishvat Deus decide quão frutíferas as árvores serão no ano vindouro.
Uma visão cabalística
Os cabalistas levaram esta ligação entre Tu Bishvat e RoshHashaná um passo adiante. Para eles, árvores eram um símbolo de seres humanos, como está escrito: "um ser humano é como a árvore do campo" (Deut. 20:19).
De acordo com a preocupação geral deles de Tikun Olam - de reparar o mundo espiritualmente - os cabalistas viam o fato de comer uma variedade de frutas em Tu Bishvat como uma maneira de melhorar o nosso ser espiritual. Mais especificamente, eles acreditavam que comer frutas era uma maneira de expiar o pecado original - comer do fruto da Árvore do Conhecimento no Jardim do Éden.
Similarmente, árvores eram o símbolo da Árvore da Vida, que leva a bondade e a bênção divina ao mundo. Para encorajar esta corrente e para efetuar Tikun Olam, os cabalistas de Safed (século XVI) criaram um seder de Tu Bishvat a exemplo do seder de Pessach.
Ele envolvia beber quatro copos de vinho e comer várias frutas diferentes enquanto se recitava os versículos apropriados

Fonte: site da Comunidade Shalom de São Paulo

Abné Zikaron - Pedras da Recordação

Abné Zikaron - Pedras da Recordação
Fonte: Jornal haLapid - Edição 117 de maio de 1943
Por: Isaac Jacob Lopes Martins
Vista panorâmica da cidade medieval de Toledo, a "Jerusalém de Sefarad"


Quando os Reis Católicos Fernando e Isabel decretaram a expulsão dos hebreus espanhóis, um judeu Toledano, antes de abandonar esta cidade onde os hebreus deixavam tantas recordações, quis despedir-se da necrópole judia que estava situada no “Cerro de la Horca”.
Ali debaixo daquelas pedras tumulares ficavam as cinzas das Glórias da Raça. Famílias e amigos daqueles judeus Toledanos que a cristianíssima bondade de Fernando e Isabel forçava a emigrar. Se bem que a maioria dos hebreus não procurasse senão salvar aquilo que podiam dos seus bens, este, a que me refiro acima, teve um gesto sentimental ao dar o último adeus aos restos dos seus irmãos de raça.
Mas fez mais. Desejando levar uma recordação sensível daquele cemitério que não tardaria a desaparecer, e do qual desapareceu efetivamente até o lúgubre nome do monte em que estava situado, lembrou-se de anotar as inscrições gravadas nos sepulcros dos semitas de maior importância.
Num caderno transcreveu literalmente setenta e seis epitáfios, quase todos referentes a pessoas e famílias do século XIV, época mais florescente da Comunidade Israelita Toledana.
Denominou-se este seu sentimental trabalho “Abné Zikarón” isto é: “Pedras Memoriais”.
O manuscrito em questão começou a suscitar o interesse dos hebraístas do século XIX.
Encontra-se então na Real Biblioteca de Turim, na Itália. Aí foi lido e estudado por Luzzato que o mandou imprimir em Praga no ano de 1841. A edição, depois de circular muitos anos no estrangeiro, chegou por fim a Espanha, mas o precioso original ficou reduzido a cinzas quando do incêndio que destruiu a Biblioteca.
Havia dúvidas sobre a veracidade do manuscrito, pois bastantes imitações mais ou menos perfeitas, apareceram, contudo os últimos achados arqueológicos de Toledo comprovaram plenamente não só a exatidão como a autenticidade do seu testemunho.
...Um dia por ocasião dumas obras, foi descoberta na rua “de la Roperia” uma pedra granítica quadrangular, que era o topo duma antiga porta..
Esta pedra tinha gravadas umas inscrições hebraicas, e tinha sido a lápide sepulcral da judia Donna, que segundo o epitáfio “sobre a terra teve as mãos brancas” pelo que “o céu foi piedoso para com ela”..


Achados arqueológicos comprovam a existências das tumbas de judeus na necrópole medieval de Cerro de La Horca, em Toledo
Consultando o caderno do judeu Toledano que recolheu as inscrições do cemitério da Horca, lá estava exatamente reproduzido o texto desta legenda sepulcral (bem rimada, como todas elas) da bondosa Donna...
... Outro dia (1936), na casa do Dr. Lopez Fando descobriu-se que a pia do lavadouro era a lousa funerária de Jacob Aben El Sarcasán, médico célebre que “se empenhou toda a vida a amar a Deus e a aproximar-se d’Ele”. Também esta inscrição foi identificada no interessantíssimo documento do nosso correligionário Toledano.
Em 1932-35, o diretor do Museu Arqueológico Provincial, Senhor D. Francisco de San Roman, reconheceu outra pia do lavadouro do Convento de freiras de S. Domingos de Real, como sendo a lousa sepulcral da hebréia Sadbona, esposa do Rabi Meir Halevy, parente próximo do almoxarife Samuel Halevy, falecido em 1349, no reinado de Pedro, o Cru, em conseqüência da peste que assolou a Europa no século XIV e que causou inúmeras vítimas em Toledo, entre as quais Donna (das mãos brancas) e o médico El Sarcasán. Ao consultar o caderno judaico, o Sr. San Roman comprovou que a isncrição de Sadbona “a respeitável, e eminente mulher superior” era justamente a primeira que transcreveu na Necrópole da Horca, o inteligente judeu anônimo a quem se deve um documento de valor histórico e filosófico tão excepcional dentro da bibliografia hebraica espanhola.
Já em princípios do século atual, na quinta “Venta de Hoyo” primitiva colônia judia, uns camponeses descobriram quando trabalhavam a terra, o sepulcro do Rabi Moisés Ibn Abi Zardil, que apareceu intacto, com a cova revestida de tijolos e coberta com uma tampa granítica.
Destruíram a sepultura e espalharam os restos humanos que continha, mas guardaram a lápide para bebedouro, mister a que esteve aplicada durante um decênio. A forma de pirâmide truncada que tinham estas lápides incitava a aplicá-las invertidas, para tais usos, e todas elas mostravam num dos seus ângulos, o orifício feito para o seu esvaziamento.
A do Rabi Moisés tem gravado, como as outras, um longo epitáfio que ocupa todas as faces e nas quais se diz: “Que o Senhor lhe dê de beber no rio dos seus prazeres...”.
As lápides mencionadas, como a do judeu convertido Havaab, do século XII, procedente da igreja de S. Miguel, são a base da coleção epigrafa judia do Museu Arqueológico Provincial. (Toledo).
Outros exemplares interessantes da mesma seção são uma viga em talha, suposta coluna da primitiva porta de Santa Maria a Branca, embora também seja provável que provenha de outra sinagoga toledana desaparecida.
O Museu Arqueológico Provincial de Toledo possui ainda outros achados de valor, recolhidos por toda a parte, todo aproveitado como materiais de construção para os mais diversos fins...

domingo, 19 de dezembro de 2010

Uma língua dos judeus - Álvaro Cunha / Especial para o AHJB





Migração judaica após a expulsão de Espanha em 1492




Para os ascendentes dos sefaradim, judeus da Península Ibérica, 5252 − 1492 pelo calendário cristão − é concebido como o desditoso ano, em que personae non gratae (a rainha Isabel de Castela, o rei Fernando de Aragão e o frade dominicano Torquemada) e acontecimentos (Inquisição e expulsão) afligiram os israelitas da região.
Muitos foram assassinados e suas propriedades usurpadas mesmo antes de dizerem adeus, outros dissiparam-se da Espanha e se precipitaram mundo afora, rumando para longe da Península Ibérica. A Inquisição, tribunal eclesiástico conhecido como Santo Ofício e que perseguia judeus, muçulmanos e irreligiosos, tornou-se famosa em razão da sangria, queimações em praças públicas e torturas. Sob a égide do 4¢ª Concílio de Latrão, em 1215, esteve em intenso exercício até a primeira metade do século 19, sendo mais inflexível na Espanha e em Portugal.




A língua usual dos sefardim que imigraram para a Turquia, Sérvia, Bulgária, Romênia, Grécia, Israel, França e regiões circunvizinhas, foi o ladino; a dos que imigraram para o norte da África,  ficou conhecida como hakitía.
Apesar de ambas terem a mesma origem − castelhano −, o ladino é basicamente o idioma de Castela do século 15, recheado de palavras turcas, italianas, gregas, francesas, hebraicas, entre outras, mas com a idiossincrasia fonético-fonológica e morfossintática ibérica. Não  muito diferente, a hakitía resulta da soma de três idiomas − 42% de castelhano do século 15, 38% de árabe marroquino e 20% de hebraico litúrgico −, que é igual ao judeu-marroquino.
Hakítico-falantes entendem o que ladino-falantes querem dizer, mas o contrário não é verdadeiro. A hakitía é mais oral que escrita, fala-se com maior freqüência do que se escreve; há irrisórios documentos oficiais e religiosos, contudo o número de missivas familiares é relativamente significativo. Não se chegou a um consenso para definir a grafia da hakitía − em caracteres latinos ou hebraicos. Os hakítico-falantes nunca se importaram em estabelecer um alfabeto para a língua.
Os judeus sefardis, séculos atrás, experimentaram uma situação de isolamento absoluto − social, cultural e linguístico −, se comparados com seus patrícios de outras regiões.  Criaram, então, formas especiais de falar, seja por particularidades culturais ou por autodefesa, a fim de se comunicarem sem serem compreendidos por não-judeus.
As chamadas línguas judaicas surgiram por pelo menos três razões. 1- Segregação: os judeus não adquiriram as normas dos dialetos não judaicos coterritoriais por causa da exposição limitada à sociedade não judaica. Como resultado, eles podiam não seguir normas não judaicas de padronização. Suas línguas, cortadas das inovações lingüísticas que afetavam os falantes não judeus, se tornavam arcaicas; 2- Separatismo religioso: o judaísmo encorajaria o uso do hebraico e do aramaico e apresentaria relativo fechamento para os termos da língua nativa que denotassem conceitos religiosos não judaicos e línguas litúrgicas não judaicas; 3- Migrações: com a expulsão, aumentou a probabilidade de os judeus ficarem mais largamente expostos a dialetos heterogêneos e a línguas estrangeiras do que a população não judaica relativamente mais sedentária.
Religiosos sefaradim passaram para o ladino centenas de páginas que continham preces e escritos judaicos. O primeiro documento impresso apareceu em Constantinopla, no ano de 1510. Já para documentos vazados em hakitía é improvável que haja um lugar e uma data tão precisa,  pois essa variante linguística judaico-românica era considerada uma fala de comunicação estritamente oral e popular, sem finalidade religiosa.
No desfecho da Idade Média (1453), num ambiente permeado pela ideologia religiosa intolerante e por interesses político-econômicos tenebrosos, milhares de judeus − homens, mulheres, crianças e idosos − expulsos da Espanha  ficaram órfãos da pátria na qual nasceram e cresceram e que ajudaram a construir e desenvolver. Após a queda do reino de Granada, os reis cristãos puseram fim à existência dos judeus no território ibérico.
Acolhidos no Império Otomano pela dinastia dos Banu Marin, esta  foi complacente com os judeus a ponto de lhes dar proteção, ainda que em troca do pagamento de impostos. Outra curiosidade é que os judeus não serviam às armas e gozavam de liberdade intelectual, judicial e religiosa. A maioria dos historiadores israelenses enfatiza que, no Marrocos, os israelitas tinham relativa autonomia. Estabeleceram de forma independente seus próprios conselhos e suas próprias instituições jurídicas, ficando aos cuidados da legislação muçulmana apenas os casos de delitos criminais. Fora isso, os judeus tinham voz e vez.
Por fim, a hakitía acaba de se constituir num veículo lingüístico comum a uma parcela de judeus procedentes da Espanha e de Portugal, os quais foram vítimas do primeiro holocausto do povo israelita.

Álvaro Cunha é jornalista e professor.



terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A vida sempre pregando suas peças...

Como poderão perceber, ontem mesmo, postamos uma divulgação sobre o livro recém lançado em Belém, pelo judeu paraense, Marcos Serruya, Cabelos de Fogo.
Tomamos tal decisão, a partir de uma conversa entre David Salgado e Elias Salgado, sobre como e quando tentaríamos realizar o lançamento do livro no Rio e  que precisávamos ajudar mais na divulgação do mesmo.
No momento do "post", Marcos já não se encontrava entre nós, mas a notícia ainda não havia chegado por aqui...
Tentaremos fazer de conta que nada aconteceu,ok? E mais do que nunca reverenciaremos a memória deste grande "ibri", fazendo o que nos pediu: ajudá-lo a divulgar sua obra. Para tanto, o Amazônia Judaica e o Universo Sefaradi envidarão todos os esforços para tentar realizar o lançamento de seu livro no Rio e onde mais seja possível.
David o conhecia muito bem, eram grandes amigos, portanto, postamos, a seguir, o que ele escreveu sobre nosso saudoso Marcos, no Blog do Amazônia Judaica


Marcos Serruya, na noite de lançamento de seu último livro, Cabelos de Fogo,em Belém


O óbvio que nunca é tão óbvio assim!

Todos nós sabemos que o Dr. Marcos tem problema sério de coração! Ninguém aqui pode dizer, eu não sabia!!!

Nem por isso, o óbvio é tão óbvio assim!

Um ser humano de verdade, humano com todos; com seus familiares, com seus amigos, com seus correligionários, com seus colegas profissionais, com seus pacientes, verdadeiramente muito humano.

Mas também muito espiritual, muita alma, muita vida. Inúmeras vidas, talvez até mais que sete, vidas após a morte e até vidas passadas.

Meu mais exemplar aluno!

Sim, dar aula de hebraico para o Dr. Marcos, é mais que um prazer, é uma lição, é muito mais aprender que propriamente ensinar. E todos nós aprendemos com ele, eu, Raquelita e Moises, todos aprendemos com o Kito.

Meu querido e eterno presidente!

Trabalhamos pela comunidade juntos, mesmo assim de tão longe, eu aqui em Israel e ele aí em Belém, continuamos trabalhando. Sua vida sempre repleta de afazeres, compromissos, mas nada mais importante, nem mesmo seu consultório é mais importante que a reunião de Diretoria do CIP ou da Sinagoga, ou a Festa de Chanuká, ou a de Purim... que valor tem sua vida sem esses prazeres comunitários... simplesmente nenhum.

Seu final de semana é com a família, sempre reunido com suas meninas, Celeste, Ingrid, Ava, com Debora e Karen mesmo que a seu estilo, sempre em casa quando não viaja para Mosqueiro. Mesmo quando ligo de Israel o encontro em familia aos domingos.

Meu grande amigo!

Sabe aquela história do encontro marcado de Fernando Sabino, pois é, eu e Marcos temos um encontro marcado todos os dias, quando faço minhas orações diárias encontro com o Marcos, também quando estou lendo jornal, vendo televisão, ouvindo notícias, dirigindo meu carro, sempre temos um encontro marcado. Meu grande amigo, são poucos.

- Marcos olha o coração. Dr. se cuida, não brinca com ele...

E assim como sempre falamos do futuro... futuro da comunidade, futuro do Brasil, futuro do Estado de Israel, sempre do futuro... reluto, recuso-me a falar no passado.

Um homem com tanta vida, mesmo sendo o mais óbvio no seu caso, por seu coração, para mim, não é tão óbvio assim.

Ele não morreu e não morrerá jamais.

Desejar a Marcos Serruya, 120 anos de vida, é nada no oceano de tantos anos que ele tem pela frente.

Marquito, meu amigo, viva para todo o sempre!!!



David Salgado – Jerusalém

Quinta vela de Chanuka 5771.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Romance de Marcos Serruya sobre uma das facetas da imigração dos judeus para a Amazônia é lançado em Belém

"Cabelos de Fogo" tem seu lançamento previsto para o mês de outubro em Belém do Pará.
"Quando Ionathan começou a pesquisar a vida de sua bisavó, não tinha idéia da gravidade dos fatos que iria desvendar"
 
Em Cabelos de Fogo, uma história baseada em fatos reais ocorridos por volta de 1906, o autor, Marcos Serruya, deixa sua marca peculiar de escritor, já conhecida por seus leitores de "O Cabalista", contribuindo para o alargamento da visão de mundo de seu público. Num livro de 132 páginas, capa de Moisés Unger e prefaciado pela escritora e poetisa Ivaíza Rodrigues, é resgatada uma das mais obscuras facetas da história da imigração judaica para o Brasil, contada a partir da perspectiva da personagem central.
A obra é parte das comemorações dos 200 anos da presença judaica na Amazônia.
O livro pode ser adquirido através do Amazônia Judaica. Faça seu pedido pelo e-mail -portal200anos@gmail.com

Audiência real aos hispano judeus do Marrocos e suas diásporas

Entre 15 e 17 de novembro A Casa Sefarad  realizou o evento “ Os hispano judeus do Marrocos e suas diásporas", do qual participaram representantes das principais comuunidades sefaraditas do mundo, cuja origem  remonta a Tanger, Tetuan, Larache Xauen e outras cidades cravadas no coração e na história do Marrocos





No dia 15 aconteceu uma audiência concedida pelo rei Juan Carlos I no Palácio  de La Zarzuela. A presença do rei de Espanha conferiu ao encontro um supremo valor simbólico e institucional, e um grato reconhecimento pelo empenho de nossa instituição. Sua Majestade, saudou um a um dos aproximadamente 30 membros da comitiva..Com imensa naturalidade, falou dos muitos e bons amigos sefaraditas que encontrou em suas viagens pelo mundo, escutou as perguntas e agradeceu os presentes dos diretivos  das comunidades, se interessou pela nova sede da Casa de Sefarad e pelos passos da plataforma Erensya.

Fonte: Casa Sefarad-Israel – http://www.casasefard-israel.es/

sábado, 4 de dezembro de 2010

Memória e preservação: uma conversa entre pares- Elias Salgado

Ontem, reencontrei um antigo companheiro de luta pela causa da cultura sefaradí, o doce amigo, Dr. Luiz Benyosef.
Nos conhecemos no final dos anos 90, no escritório de Alberto Nasser, levados nós e outros "sfatas" ( palavra formada pelas iniciais de sefaradís autênticos, em língua hebraica), pelo entusiasmo de Nelson Menda, para juntos fundarmos o CONFARAD e realizar, no Rio, o seu primeiro congresso.
Vem de lá minha admiração por este geofísico, pesquisador titular do Observatório Nacional, um antenado com o universo e amante incondicional das coisas e das causas humanas, em particular as judaico-sefaraditas.
Sempre apreciei em Benyosef, a simplicidade aristocrática de sua sapiência - um jeito "cool",  poderia dizer "kal", do hebraico - leve. Acho que é isso - uma sábia leveza de ser...
Posso dizer todas estas coisas sobre ele, para só depois lembrar, que como eu, é neto de tangerinos e também ama nossa ancestralidade e toda a sua tradição, mas se o fizesse primeiro, me julgariam suspeito, parcial, tendencioso...


Luiz Benyosef, no Encontro das Águas, em Manaus, em sua visita as comunidades da Amazônia


Por contingências diversas nos afastamos um pouco, mas jamais deixei de seguir suas pegadas...
Eu fui tratar da minha paixão deslavada pelo judaísmo amazônico e ele seguiu ativo no CONFARAD, além de fazer um trabalho brilhante como diretor de pequenas comunidades da FIERJ – e foi nesta nova missão, que Benyosef, em parceria com o saudoso casal Egon e Frieda Wolff de abençoada memória, “cometeu” sua, até aqui, na minha humilde opinião, maior contribuição à memória da presença judaica em terras fluminenses, a criação do Memorial Judaico de Vassouras, o qual preside.
 Para conhecer a dimensão e importância de tão magnífica obra, acesse www.memorialjudaico.org.br/.   E antecipamos que o UNIVERSO SEFARADÍ e a revista AMAZÔNIA JUDAICA, estão preparando uma matéria especial sobre o tema.
Mas voltemos ao nosso (re)encontro. Ele se deu na Adega Portugália, bem ali no tradicional Largo do Machado, outro lugar especial da memória do Rio e da minha pessoal.
Falamos sobre isso e também, é claro, da nossa paixão comum: a memória e sua preservação, rememorando nossas origens pessoais comuns de netos de judeus marroquinos oriundos de Sefarad (Espanha), com suas particularidades – ele mineiro, cujos avós marroquinos se estabeleceram na Bahia e eu amazonense, cujos avós de mesma origem, se estabeleceram no Amazonas. Quase nada em comum...E para agravar ainda mais, dois grandes contadores de “causos”. E eu, como sempre, não perco o hábito de roubar os causos narrados por outros e registrá-los como um fiel escriba.
Pois vamos à história em questão:
me contou Luiz, que em 1998, teve a felicidade de realizar seu sonho de voltar ao  local de origem de seus antepassados, o Marrocos. Narrou com o entusiasmo e a graça de contador que lhe é peculiar, a maravilhosa e emocionante experiência ali vivida, e selecionou, como um exímio pescador de ostras seleciona a melhor de suas pérolas, a seguinte passagem da viagem, como destaque.
Aconteceu, me contou, que estando em  Tanger de nossos avós, resolveu, entre várias visitas, conhecer a sinagoga da família Benatar, escolhendo como momento oportuno de  ali chegar, a hora da tefilá (oração).
Eu não sei vocês, caros leitores, mas eu, muitas vezes não sei o que pensar de certos acontecimentos , tipo aqueles que se assemelham a coisas quase inexplicáveis. Não que eu seja totalmente cético – não se esqueçam da minha ancestralidade espanhola, em cujo idioma há um dito bastante conhecido: “no creo en brujas, pero que las hay, las hay”... e mais ainda,  da minha vertente marroquina, cuja tradição, entre outros elementos centrais, possui uma forte crença no poder e nas façanhas de seus tzadikim(justos). E para agregar mais “pimenta” lembro da nossa literatura rabínica, o Talmud, que entre várias coisas afirma o seguinte: o mundo, a cada geração, se mantém de pé, graças à existência de 36 justos ocultos que justificam sua preservação.
Mas voltemos ao meu amigo Luiz e sua visita à sinagoga. Me contou que ao chegar naquele recinto sagrado, se deparou com nove homens que o receberam com um misto de euforia e surpresa de quem vê chegar, finalmente, alguém por quem ansiosamente esperavam: “ Oh. finalmente você chegou, já podemos começar, então”
Foi quando ele percebeu que era o décimo homem no lugar e que com ele podiam formar o minian (quorum mínimo para se rezar coletivamente).

Até aí nada demais, certo? Mas acontece que não chegou mais ninguém depois dele...

Luiz Benyosef, na Sinagoga da família Benatar em Tanger, durante sua viagem ao Marrocos em 1998

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Chanuká: de volta à casa ancestral - Elias Salgado

Estamos duplamente em festa. Em todos os cantos deste planeta azul, velas serão acesas em milhões de chanukiot, durante 8 dias, a partir desta noite. Este belo costume se repete, ano após ano, initerruptamente, há milênios.

Nossa tradição, acostumada a marcar e a sacralizar cada ato e cada passagem do tempo, num eterno rememorar, que é a base de sua própria essência e a garantia de um futuro através desta prática ancestral, no presente de cada geração, aponta, no caso particular do comemorar Chanuká, para uma constante busca de retornar a tempos gloriosos, tempos de luz.


Chanuká, também, registra uma (re) inauguração - a do Templo Sagrado, outrora existente em Jerusalém.
Marco central da vida judaica de então, o Templo era o local onde se guardava a Lei - personificada por duas tábuas com os 10 Mandamentos, que continham em sí, a totalidade e a síntese da moral e da ética, em formato de código de leis, a Torá.

Não que o Templo, não fosse importante, certamente o era pelo que guardava e pelo que representava, mas era a Arca Sagrada, guardada no local mais sagrado da Casa de D-us , contendo aquele conhecimento em forma de "farás e não farás"- base e norte de um povo e modelo para a humanidade- a verdadeira personificação do que é realmente valoroso para  povo judeu.

O Templo poderá ser reconstruído, como preveem as profecias sagradas, na era messiânica, porém, o mais importante, foi o grandioso ato do povo judeu, de apesar da tragédia que foi a destruição doTemplo e o consequente exílio de Israel, haver sabido levar consigo e preservar, para onde quer que fosse, a essência desta "casa ancestral" e sabiamente tê-la tornado ainda mais grandiosa, através do cumprimento, da preservação, e do estudo.

E estamos em festa também, pela inauguração(criação) de um novo veículo - o blog UNIVERSO SEFARADÍ - mais um espaço para resgate, preservação e registro da  milenar cultura judaica sefaradí; ela também parte fundamental do grande legado que teve seu início em torno daquela Casa Gloriosa, trasladou-se por contigências históricas para a Península Ibérica( Sefarad), sofreu uma nova e traumática usurpação ( a Inquisição e a consequente expulsão de 1492), e outra vez se dispersou pelo mundo na chamada Diáspora Sefaradí.  É sobre esta diáspora, este rico universo de tradições e cultura que escreveremos e notificaremos em nosso novo blog.
UNIVERSO SEFARADÍ, nasce no ventre de outro veículo que já é parte da história judaica brasileira, o AMAZÔNIA JUDAICA. É parte integrante dele e com ele caminhará lado à lado, ampliando a obra iniciada e mantida tão brilhantemente por David Salgado.

Feliz Chanuká .